Quando Elizabeth Taylor apareceu, ainda criança, para as câmeras do cinema, o mundo vivia os horrores da Segunda Guerra Mundial e as mulheres estavam presas aos papéis de antigamente: o casamento quase sempre precoce, a dedicação familiar anulando a vida profissional. Quando Elizabeth Taylor virou uma das primeiras grandes estrelas globais, o ocidente redescobria a prosperidade, e com ele o glamour. Era uma época de urbanização acelerada, desenvolvimento da indústria de massas, incorporação da mulher ao mercado de trabalho e definição de novos papéis sociais. Pode-se limitar o obituário de Elizabeth Taylor aos seus 50 filmes em 70 anos de carreira. E a isso adicionar um pouco mais de tempero pessoal, com os oito casamentos e sete maridos e uma luta de décadas contra a dependência química, de barbitúricos ao álcool.
Com seus olhos cor de lilás, Elizabeth Taylor protagonizou um papel maior ao simbolizar esse glamour dos chamados “anos dourados”. Suas roupas de gola larga abriam amplos e insinuantes decotes, em V ou em U, para um colo que quase rivalizava com o de Sophia Loren, numa fase em que a moral americana mal aceitara a revista Playboy (lançada em 1953). Mas enquanto Sophia Loren abrigava no pescoço colares de pérolas que pareciam valorizar apenas os seios, as pedras preciosas de Liz Taylor agiam em todas as direções: iluminavam os vestidos, emolduravam o colo e realçavam o brilho violeta de seu olhar. Era uma imagem para ser admirada e para servir de exemplo. Elizabeth Taylor foi ícone de um mercado de beleza, moda e acessórios em franca expansão.
E, quase a contragosto, garota-propaganda de um novo comportamento social da mulher. Com papéis geralmente densos na tela, ela era, fora do cinema, o rosto incrivelmente belo numa personalidade destinada a expandir a fronteira feminina nos “anos dourados”: separações seriais, abusos de barbitúricos, crises de bebedeiras e dificuldade na convivência com o envelhecimento renegaram o modelo dominante, atraíram discussões e emularam a mudança de comportamento de uma geração de mulheres, em vários países do Ocidente. Como quase sempre acontece com os ícones que morrem distante do apogeu, o tempo lhe foi cruel e hoje a inspiradora Liz Taylor do pós-Guerra seria, provavelmente, apenas uma garota-problema.
Elizabeth Taylor, a beleza que ajudou a mudar uma geração

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